sábado, 24 de outubro de 2009

Esse Orkut...

Acordei no meio da noite. Normal: dormi para caráleo à tarde...
Daí fui caçar o que fazer, sei lá... Matar o tempo.

Ler, a essas horas? Pois se já estou tão cegueta! Além do mais, comprei dois livros que já tinha lido, e não me dei conta... Conforme vou lendo, um ou outro dos volumes do "Mar de Histórias", organização de Paulo Rónai e Aurélio Buarque de Hollanda, vou vendo que esses eu já devorei - e faz é tempo! Mas... droga! Ainda lembro todos os contos...

Olhei as páginas dos jornais: o de sempre. Facebook? Não, já saí, deixando uma imagem indecente naquele ambiente de assepsia artificial (ali, todo mundo é educadinho, sem ser).

Vamos para o Orkut! A comédia.

Visito a página de um e outro. Deixo um comentário tosco numa comunidade não menos tosca.

Contemplo, na página de uma nova amiga, umas mensagens coruscantes, dessas que você já pega - prontinhas! Então, resolvo fazer também a minha e deixar lá, no scrapbook dela.

Faço, rapidamente, um pequeno trabalho no Photoshop e escrevo duas ou três quadras rimadas.

Pronto! Postei. Ficou legal!

Pronto! O Orkut apagou, automaticamente - porque este tipo de scrap, que contém foto oriunda de um álbum do próprio Orkut, pode ser muito perigoso e conter pornografia, (coisa que acabaria com o mundo). Que pena! Tinha ficado até engraçadinho...

Vou tentar reproduzir aqui (de cabeça!), já que tudo é um só improviso...

Vamos lá!

Karla Princesa...

Também gostaria de mandar-te
Uma mensagem linda, a rebrilhar...
De bela, fina - e pronta arte!
(Mas eu não sei onde pegar)...

Então vai mesmo esta, rabiscada
No Photoshop, malcriada
Dizendo que o afeto, a benquerença,
Podem bem, sim, conviver na diferença...




A moça é uma bela promessa. Pois então, ela, que vive cercada pelo açúcar vagabundo da Internet (tão jovem!), não é que vem intuindo o meu humor sulfúrico?! E, intuindo, vejam o que esta menina me manda:



Dez! (não, dez mil!)

São poucas, mas ainda resta alguma esperança. Humor, intuição = talento. E a minha vocação é mesmo a de tentar parturiar esses jovens que se destacam, de uma forma ou de outra:

Avante, putada!

A tempo:
Os versinhos ficaram levemente (bastante!) diferentes daquilo que havia saído de prima. E ficaram ainda piores, se isto for mesmo possível.

Legal. Os versinhos cometidos foram parar, de alguma maneira, no e-mail da nova amiga. Ela teve a gentileza de mandar-mos, de volta - já que não tinha, eu, cópia deles:

Karla Princesa...

Também eu, desejaria mandar-te
Mensagens elaboradíssimas e piscantes...
Lindas e ofuscantes...
Esta pronta e linda arte!

Mas não sei como fazê-lo,
Nem onde encontrar modelo
Que expresse: " a amizade, a benquerença"
"Pode acontecer na diferença"...

No Photoshop, com uma imagem,
Eu vou e traço a rude mensagem
Daqueles que não sabem açucarar
A amizade, o dom de rir - e de amar!


Pronto. Poetei.


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Rancor, ódio, impotência: desesperança

Artigo

Mataram, num assalto, um cara do AfroReggae. Nem conheço.

Coitado... Por causa de uma jaqueta e um par de tênis. O cara era fodido, não queria se desfazer assim desses bens. Ele reagiu. Então, os bandidos, que eram - até ali - dois, mataram o cara.

Umas câmeras, dessas que ficam ligadas o tempo todo, gravaram o assalto. Alguns segundos após a vítima ter sido baleada e saqueada, apareceram uns PM. Eles viram tudo - e só interferiram depois. Como as hienas, quando não conseguem matar por conta própria, esses policiais, esses servidores da comunidade, esses filhos de putas, tomaram a presa daqueles que haviam feito o serviço: a jaqueta, o par de tênis - e, é claro, a arma. Liberaram, então, imediatamente, os assassinos.

Está aqui, ó:


Vamos, então, falar alguma coisa sobre a PM - e a Polícia, em geral.

Estamos muito bem servidos de policiais. Eles não sabem sequer segurar uma arma. Seguram de qualquer jeito, principalmente pelo carregador... Parece que não receberam treinamento suficiente - e nem adequado. A gente sente que eles fizeram tudo da mesma maneira que na escola. Nas coxas. De bunda.

Pois bem. Em lugares, países, que não são um cu, até mesmo as barbies sabem empunhar uma arma. Ah! Esta aí da foto não é de brincadeira não: trata-se de uma Hell Kitty AR-15, fabricação Colt, muito popular no ambiente feminino.

Não sei. Parece que a gente segurando o fuzil pelo carregador deixa um pouco menos de cara - e de cu - expostos. Mas está errado. Está muito errado. Desequilibra tudo: pontaria, empunhadura - além de estragar a arma. Está errado. Isto e outras coisas também.

Já disse um ex-comandante qualquer da PM que "a corporação somente teria jeito se expulsasse todo o seu efetivo e começasse tudo outra vez, com outras pessoas..." O mesmo vale para a Polícia Civil, não é mesmo? Quem não sabe disso? Pois se estão todos fazendo bicos, o tempo inteiro. Bicos criminosos, na maioria das vezes. E são eles mesmos "a milícia". Tudo pago com o dinheiro extorquido do contribuinte (via impostos compulsórios).

Não se empunha um fuzil pelo carregador, nem pelo caralho. Em lugar nenhum. Só no Brasil.

Seja ele de qualquer tipo, de qualquer fabricação. No Iraque isto dá até pena de morte.

Até Didi Mocó sabe disso. E não põe a mão no carregador, nem se estiver usando tripé.

Porra! Está errado, muitíssimo errado, a gente ter um país em que a polícia é tão perigosa ou mais ainda do que os próprios bandidos! Pelo menos, a gente não assalaria esses. Nem dá uniformes, rancho, assistência médica e aposentadoria. A gente dá o dinheiro, o carro, até mesmo a mulher. Mas isto somente quando é assaltado. Nós não damos "carteirinha de prender" aos bandidos. Nem viaturas. Uniformes. Helicópteros.

Acho que não damos. Ou, se damos, não deveríamos dar.

Se o cara é militar, de qualquer corporação - seja do Exército ou da Tropa de Matamosquitos -, tem que haver a corte marcial e a pena por alta traição.
Antigamente a carreira dos "valorosos matamosquitos" ia até a patente de cabo (equivalente a general, nesta corporação). Hoje não sei.
Mas é tudo igual. Ou não? O Exército Brasileiro não cagou o pau inteirinho quando foi posto para trabalhar por uns poucos dias? E o que dizer dos bombeiros, comandando de frente a venda de botijões de gás, via milícias? Está errado sim.

Pega na porra da ferramenta e faz o serviço direito. Relapso, ladrão? Cadeia! Joguem-se as chaves no lixo.

Não sabe? Não conseguiu aprender? Não ensinaram direito? Eu sei: o governo é o que há de pior, de mais infecto, latrinário, abjeto. Não há academias que prestem, nem seleção séria, permanente, que afaste tantos oportunistas criminosos - loucos por uma carteira de policial.
Este mesmo governo é o suicida que joga tudo em quatro anos: roubar, desviar. É conseguir a grana suficiente para eternizar-se no poder ou então desaparece com o troco.
E o que vier depois que se foda.

Então deve haver alguma coisa errada. Erradíssima. Porque "sistemas" não nascem prontos. E nem dão em árvores.

Já disse: não se toca no carregador da arma, nem mesmo quase cagando.

Ou cagando, de fato!

Está com medo de sustentar a arma pelo punho de fábrica? Experimente um acessório. Mas não faça a coisa errada, tão errada assim. Porque já está parecendo que a gente vive num país cu mesmo. De verdade. Um imenso e malcheiroso cu, com bandeira, hino e presidente.

Isto não é feito em lugar nenhum: firmar um rifle pelo carregador. Pelo menos com tanta frequência. Deve haver alguma coisa muito errada no nosso ar, na nossa água, alguma coisa que contamine de forma generalizada um país inteiro. Contamine e faça com que as coisas aqui saiam erradas. Erradas demais.

Não se segura uma arma pelo carregador. Nem mesmo quando ele é grande, tentador. Caso contrário, fica parecendo - cada vez mais - que a gente está morando dentro de um cu.

E quanto ao fato de que a Polícia - que é paga para defender o cidadão - só faz é trato com bandido, por qualquer jaqueta de pobre, por qualquer par de tênis usado, isto é caso indubitável de aplicação da pena capital. Não faltariam voluntários. Até mesmo nós, os velhos: bons e pacientes atiradores.


No decorrer da atual "Guerra do Rio", mais de 30 delegacias tiveram os seus comandos trocados. O mesmo está ocorrendo em alguns batalhões da Polícia Militar. Por quê?

Nos bairros, o delegado se assenta: começa a receber o dinheiro do "arrego", vindo dos traficantes. Daí, tudo corre às mil maravilhas nesses imensos e variados territórios que não mais fazem parte do corpo da União.

A obtenção de armamentos capazes de derrubar helicópteros é somente uma das consequências suicidas deste "arrego". Por dinheiro, até mesmo gente do BOPE está roubando armas de seu arsenal, para vender aos bandidos. E é tão doentia, tão violenta a sanha por dinheiro, que esses soldados estão roubando a descoberto, às pressas, sem sequer se ocultarem direito. É uma doença, uma doença gravíssima. É assim a vida dentro de um cu.




Agora todo mundo, juntinhos: empunhando e atirando com a arma de maneira errada. Profissionais...


Upa! Upa! Ainda tô com aquele porco do almoço me pesando no estombro! Acho que preciso perder uns cem quilos... Pelo menos, não estou segurando a arma pelo carregador (isquicí!), mas meu colega está... óia só ele, lá atrás...


quinta-feira, 11 de junho de 2009

Despertar



Só depois lembrei do hospital. Bem depois. E foi lembrança rápida, embora daquelas intensas, que trazem consigo os aromas e também as dores. Mas isto foi bem depois.
Primeiro veio a lembrança daquela manhã. Ventava alto, lá pelas copas das árvores. No chão, nada se movia. Manhã amena, coisa de abril ou maio, talvez. E o silêncio.
A folhagem verde-nova brilhando antes do céu, azul puríssimo, sideral, bem ali acima do Campinho – um terreno abandonado onde despejavam o lixo.
E a mosca. Foi ela, quase parada em seu vôo, brilhando verde-metálica, quem me despertou. Olhei o céu e vi o vento, nas folhas largas da amendoeira grande. E alto, altíssimo, o azul. Então foi que senti: estou acordado.
Mas agora me chamam e preciso ir. Talvez seja minha mãe. Tenho de ir e viver a vida. Afinal, ainda não completei três anos de idade, dois e pouco, parece.
Se cada despertar é um milagre, uma ressurreição, o primeiro deles, o despertar da consciência, é uma ressurreição de fato. E deixa a maior de todas as lembranças. Vive-se sessenta, noventa e poucos anos. Ou dez. Uns acham pouco, outros demasiado… Momentos de quase glória e de ruína; lembranças, esquecimentos… E o mais de tudo, absurdamente, – aquilo que volta sem ser chamado – é, quase sempre, um momento que parece estúpido, insignificante em si.
O menino cresceu, vingou como a erva daninha num pasto – que apesar de cortada, arrancada, ninguém extingue toda. E resistindo aos cortes, nos pés, no coração, viveu. Varou o mundo-largo – mas também cumpriu as longas e penosas sentenças do tédio. Não há escolha. Nenhuma. Acontece.
Outra vez despertei. Já não era um menino. Pelo contrário, um homem velho e doente. Exausto.
Me lembro que era noite e que era tarde. O hospital, os cheiros. O peito me doía forte. E, por causa da dor, a visão me turvara em névoa espessa. Ainda assim não pude deixar de notar uma criança pequena, que tinha os cabelos empapados em sangue, partir pouco depois de ter sido colocada ao meu lado, numa espécie de maca.
Não sei o tempo e o lugar. Isto não tem importância. Não havia luz elétrica e a penumbra virava escuridão em alguns pontos daquilo que parecia ser um quarto antigo. A dor, ela própria, foi me aliviando, colocando-me num estado de quase insensibilidade física. Mas o pensamento pulsava; o medo foi se transformando numa espécie de indiferença. À minha volta havia uma movimentação apressada de pessoas sem rosto. Depois, um cantinho da sala, onde a treva era mais densa, foi crescendo, se aproximando de mim e espalhou-se – até tomar tudo. Então acho que foi aí que esqueci de mim.
Somente fui me lembrar, novamente, sob a amendoeira grande – encantado com as cores daquela mosca metálica que brilhava ao Sol.
Não tive sonhos e de outras coisas não lembro. A Morte não explica nada.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Tirando a razão, de Platão...

“A opinião da maioria quanto ao conhecimento é que ele não é algo poderoso, capaz de controlar e governar um homem; eles não vêem deste modo em absoluto, mas julgam que frequentemente um homem que possui conhecimento é governado não por este, mas por alguma outra coisa: em um caso a paixão, em outro o prazer, em outro a dor, às vezes a luxúria, muito comumente o medo; eles só vêem o conhecimento como um escravo que é arrastado para lá e para cá por quem o possui.
Então, você tem uma opinião semelhante com respeito ao conhecimento ou pensa que ele é algo excelente, que pode governar um homem e que, se alguém souber o que é bom ou mau, jamais será conquistado por coisa alguma de modo a agir de outra maneira que não a ditada pelo conhecimento? De fato, a inteligência é salva-guarda suficiente para um homem?” Platão, (século IV A.C)

Não foram poucas as grandes inteligências assoladas e vencidas pela miséria. Todo o tipo de misérias, as mais mesquinhas possíveis, em casos tristemente incontáveis. Às vezes somos mesmo levados a pensar que o conhecimento, o amor e a dedicação ao pensamento, trazem em seu próprio bojo a marca da desgraça – e da solidão.

Então, a inteligência não serve para nada?

Ora, se pretendermos entender o motivo pelo qual, por exemplo, Luís de Camões morreu em estado de indigência completa, Dostoiévski viveu uma vida infelicíssima e jogou tanto, contra si mesmo, Miguel de Cervantes apodreceu no cárcere, Fernando Pessoa e Lima Barreto beberam até cair - e morrer - e tantos outros homens grandes aparentemente não souberam utilizar suas inteligências privilegiadas em proveito próprio, deixemos, desde já, o verbo transitivo indireto, servir, de lado.

Aliás, se quisermos aqui fazer um pequeno tratado sobre a sensatez, a temperança, a prudência, a abastança, falemos sobre comerciantes ricos ou funcionários palacianos bem colocados. Eles existem há milênios, como os sábios.

Tudo nos leva a crer que o surgimento de uma mente privilegiada é um fenômeno fortuito, inato e absolutamente natural. Entenda-se por natural a premissa de que, por mais que possa ser tentado, não é possível criar um gênio, propositadamente, nos bancos universitários, por exemplo.

Por motivos pouco conhecidos, mas bastante observados, a humanidade parece ter sido composta, desde tempos imemoriais, por um percentual razoável de pessoas possuidoras de inteligência mediana, uma quantidade ínfima de mentes brilhantes e um bloco majoritário de pessoas que, mesmo quando têm à sua disposição todo um arsenal educacional, ou, ainda, se tivessem, não ultrapassariam o limite daquilo que poderíamos chamar sofrível.

Não se trata de darwinismo social, nem há crenças malthusianas da parte deste escriba, que não crê em nada. São observações colhidas na história da humanidade – e também nas ruas, no meu tempo.

Não é vedado ao terceiro grupo de intelectos, aquele que denominei ilustrativamente de sofrível, o enriquecimento monetário, por exemplo, ou o progresso relativamente tranquilo numa carreira acadêmica qualquer. Por outro lado, parece não haver registro algum de uma ascensão sequer de um sofrível ao patamar imediatamente acima, o intermediário, assim como, por seu turno, ser improvável ao extremo que um mediano alcance por qualquer meio ou forma o primeiro dos patamares, aquele das mentes brilhantes.

Determinismo? Não creio. Talvez, sim, "observismo"...

Eu penso que homens brilhantes não costumam ser práticos. E que não agem assim de forma deliberada. Há um componente de sonho, de distanciamento do comezinho, que costuma fazer parte da mentalidade de homens que possuem um intelecto privilegiado. Algumas vezes esse componente pode adquirir proporções catastróficas, como ocorreu a Oscar Wilde e a Charles Baudelaire - somente para dar dois exemplos significativos, dentre centanas.

Certa vez, lendo uma boa biografia de Isaac Newton, escrita por um homem para quem a ciência não era coisa estranha, surpreendi-me bastante ao constatar que esse autor atribuía, em diversos trechos da obra, às práticas alquímicas de Newton uma fraqueza, um obscurantismo, um ranço de seu tempo. E dizia ainda ser quase inconcebível o fato de que um homem possuidor de tamanho brilhantismo pudesse deixar conviver em si mesmo ciência pura e alquimia...

Ora, talvez Newton tenha feito suas descobertas – que considero as mais importantes na história da ciência – justamente por ter sido um praticante da alquimia.

Porque o alquimista, o antigo, o clássico alquimista, aquele que chegou a queimar a mobília e as traves do teto para alimentar a chama do forno do conhecimento, era o cientista e mais o seu sonho, somados. Foi com eles que começou aquilo que hoje conhecemos como Ciência.

Quanto à citação de Platão, com a qual iniciei estas linhas, não acho que ele tenha acertado – e, muito menos, errado. Platão não fez nenhuma assertiva. Somente perguntas.

Platão não sabia as respostas... Talvez, justamente por isto, tenha sido Platão.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Na base do beijinho, véi, não vai!

Andamos agora assistindo, novamente, a uma novela mexicana de terceira (e última) categoria: o parto da CPI da Petrobrás. Puxa daqui, acochambra ali... Será que essa companhia petrolífera, uma mina de ouro, está mesmo servindo como uma espécie de carteira, bolsa, porta-notas privado do PT? Sim. É claro que sim.

Aqui mesmo, pertinho de casa, na Rua do Senado, Rio de Janeiro, a empreiteira WTorre estava construindo três grandes prédios, no último dos terrenos espaçosos disponíveis no Centro, para serem alugados à Petrobrás. Era uma faina louca: máquinas pesadas, trabalhando 24/7. Dormir, ou mesmo manter as janelas abertas, nem pensar. A Petrobrás tinha pressa, dizia-se, e a WTorre medo: o contrato previa multas severas por atrasos na construção de mais este palácio (três blocos de 18 andares na superfície e mais cinco no subsolo, cada um deles).

Ora, quem diria, quando começaram, há pouco, as primeiras denúncias de irregularidades nos cofres da Petrobrás (eufemismo para o mais puro, simples e deslavado ato de roubar), a WTorre imobilizou-se - de forma completa, absoluta, nas cercanias de minha residência. Hoje, passados 30 ou 40 dias do começo das denúncias, não há um carrinho de mão que seja da WTorre no local. A obra foi paralizada, completamente. Restou um lago, de uns 20 metros de profundidade, que está infestando a vizinhança com nuvens de mosquitos, mesmo agora, quando a temperatura anda em baixa.

Dizem, as más línguas, as péssimas línguas, ou seja, as minhas, que a Petrobrás estava custeando integralmente as obras - e que depois, alugaria à WTorre o conjunto de prédios - note bem: seria inquilina da WTorre, ela, ela mesma, a Petrobrás, a do dinheiro... Assim até eu próprio seria também empreiteiro, não é mesmo?!

Neste ajuste, tão simpático à WTorre, será que não rolariam uns milhõezinhos para a campanha eleitoral do próximo ano? Ou, mesmo, possivelmente, muito possivelmente aliás, também para a compra de apartamentos, gravatas, CD de pagode, bebidas finas (que seriam tomadas de uma só talagada), depósitos em paraísos bancários (para os dias difíceis...)?

E é justamente por esta - e muitas outras mais -, que sempre fui favorável ao aprisionamento, julgamento e posterior enforcamento em praça pública de todo aquele que, em exercício de qualquer cargo público, tenha errr... desviado quantia igual ou superior a cinco mil reais.

A quem desviou menos, a chibata - também em praça pública.

Essas idéias, já as defendo não é de hoje. Desde a época do hipopotâmico Delfin Neto já as defendia eu, tanto em privado quanto em público - ou seja, em botecos, esquinas e casas de amigos.

Finalmente, para que a ninguém seja imputada com razão e justiça a peja de a mim chamar equivocadamente de sanguinário genérico, incluo também em meu Painel dos Condenados, a foto do Sr. Itamar Franco, O Burro.

Vai, Brasil!