terça-feira, 26 de maio de 2009

Exílio




















Varando o céu noturno,
À costa as costas dei
E às areias que ficavam
Inocentes, cálidas, ringentes,
Nem um olhar de adeus eu dei...

O Norte tem outro céu
E não conheço essa Lua,
Gelada, frígida e inversa.
E já não quero ser eu...
Que parto de mim, assim.

Do povo da minha terra,
Que roto, grita e gargalha
Reinando por quatro dias
Escravo aviltado, o resto,
Só mágoas nas malas levo.

Estrela Polar me ilumina!
Já não tenho tanta vida...
Dá-me a luz de teu silêncio
Na bruma dos teus ares
E alguma lã no telhado...

Vejo a praça, a macieira,
Carregada de vermelho:
Que não tenta a ninguém.
Castelos que são escolas
E escolas que são castelos...

Também as Quatro Estações
Marcadas e separadas
Que os anos vão estendendo
Lentos e sem surpresas
Pelas janelas fechadas.

Ó Norte quase imutável,
Domado e civilizado
Onde o tempo passa igual
O tanto que já me deste,
Já nem lembras, te repetes!

Seria muito o desejar
Do meu vizinho um abraço
Num cão que passa o afago
(Cujo dono não conheço)
E que me gela a alma no olhar...

Por que há tantas bandeiras?
Por que são tristes os negros?
Que nem sabem o que é sambar...
E comem de um pão tão triste
Farto, abundante e sem sal...

Vai, pede emprestado ao Brasil
Não haverá aqui corações,
Sem medo de junto estar
De ser rei e de mendigar?
Pois não dá tudo no mesmo?!

Vou voltar à minha terra
Meu berço tórrido de amor,
Daqui não levo saudades
E volto para onde tenho
Pelas esquinas imãos...

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